Rotas mais perigosas do Brasil concentram milhares de acidentes e exigem uma gestão de segurança baseada em dados, segundo levantamento reunido a partir de informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O material aponta BR-101, BR-116, BR-381 e BR-040 entre os corredores federais com maior risco para o transporte de cargas, com destaque para Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná.
De acordo com o levantamento, a BR-101 lidera em número absoluto de acidentes. A rodovia corta 12 estados e concentra intenso fluxo de caminhões, especialmente em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Somente em Santa Catarina, foram registrados 987 acidentes e 25 mortes entre janeiro e março de 2025.
A BR-116 também aparece entre os trechos mais críticos. Embora registre menos acidentes que a BR-101, o corredor, que inclui a Via Dutra e a Régis Bittencourt, acumulou 4.778 mortes entre 2018 e 2025, o maior número entre as rodovias federais no período.
BR-381, BR-040 e o desafio do transporte pesado
Para veículos pesados, a BR-381 merece atenção especial. Segundo o levantamento, a rodovia teve 3.137 sinistros envolvendo esse tipo de veículo, com 116 mortes e 1.492 feridos. O trecho entre Contagem e Extrema, em Minas Gerais, concentra mais de 60% dos acidentes da via.
A BR-040, corredor importante entre Brasília, Minas Gerais e Rio de Janeiro, registrou 3.502 acidentes em 2025. Já a BR-153, eixo estratégico para o escoamento do agronegócio, enfrenta desafios constantes por causa do alto fluxo de cargas e das diferenças de infraestrutura ao longo de seus trechos.
Videotelemática e inteligência artificial na prevenção
Diante desse cenário, o setor de transporte precisa ir além da identificação de trechos críticos. A análise de dados e a videotelemática avançada permitem entender onde, quando e em quais condições os riscos aumentam, favorecendo uma gestão mais preditiva.
Para a Geotab, líder global em gestão de frotas, a tecnologia pode transformar a segurança viária. A empresa desenvolveu a GO Focus Plus, solução de videotelemática com inteligência artificial embarcada, que analisa eventos diretamente no veículo e emite alerta de voz ao identificar comportamentos de risco. Além disso, o sistema realiza coaching em cabine em tempo real e orienta o motorista a corrigir a condução.
Para o gestor, a Sequência Inteligente prioriza eventos de maior gravidade e comportamentos recorrentes, o que facilita a revisão dos registros e o direcionamento de treinamentos personalizados. Em um projeto-piloto, uma frota reduziu em 95% o uso do celular ao volante após implementar os alertas por voz da solução.
“Não basta saber quais são as rodovias mais críticas. Para uma operação de transporte eficiente e segura, é fundamental entender o que acontece em tempo real na frota durante cada viagem e identificar comportamentos e situações de risco que antecedem o acidente”, afirma Eduardo Canicoba, vice-presidente da Geotab no Brasil.
Segundo a empresa, a videotelemática com inteligência artificial ajuda a levar a gestão da frota da reação à prevenção. Os eventos em vídeo, combinados com dados de telemetria, ajudam o gestor a reconhecer padrões de risco ao volante e a direcionar acompanhamento e treinamento personalizado. Dessa forma, a tecnologia apoia a prevenção de colisões e decisões voltadas à segurança e à rentabilidade da operação.
“A segurança viária precisa estar no centro da estratégia de negócios de qualquer operação. Com a videotelemática com IA, conseguimos dar mais previsibilidade ao gestor, identificando comportamentos de risco e reconhecendo padrões recorrentes. A tecnologia também alerta o motorista na cabine no momento em que os comportamentos de risco acontecem, apoiando uma operação mais segura, rentável e resiliente no Brasil”, conclui Canicoba.