A consulta pública para o Plano Estadual de Logística de Transportes (PELT) de Santa Catarina revelou que os trens tiveram participação dominante nas contribuições recebidas. O plano, contratado pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), traçará o planejamento logístico para os próximos 25 anos e deve ser concluído em fevereiro de 2027.
Consulta pública para plano de transportes de SC para os próximos 25 anos tem domínio dos trens nas participações
Os trens representaram metade das sugestões na consulta pública do PELT. Entre as propostas relacionadas ao modal ferroviário, destacam-se a implantação de uma ferrovia ligando o Oeste ao Litoral do Estado, a construção paralela à BR-101 e a instalação de estações intermodais.
A elaboração do plano está a cargo da Infra, empresa de planejamento do Ministério dos Transportes, com acompanhamento de um grupo de trabalho formado pela SPAF. A consulta pública permaneceu aberta por oito meses e recebeu 47 contribuições, organizadas em cinco eixos territoriais.
No Oeste catarinense, o principal desafio apontado foi superar as grandes distâncias por meio de ferrovias. Existem estudos para diferentes traçados que liguem a região à faixa litorânea, porém não há perspectivas de obras no curto ou médio prazo.
Na região Norte, as sugestões focaram nos acessos portuários, especialmente na BR-280, que é o único acesso rodoviário ao Porto de São Francisco do Sul, e em soluções de engenharia para a BR-101. No Vale do Itajaí, a integração dos modais rodoviário, ferroviário e portuário apareceu como forma de reduzir a saturação da BR-470.
A Grande Florianópolis teve como temas principais a integração da mobilidade urbana entre a ilha e o continente, a infraestrutura aeroportuária e os sistemas de transporte aquaviário.
Segundo Ivan Amaral, secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, “as contribuições públicas registram a manifestação da sociedade organizada e revelam as reais necessidades que precisam ser abordadas e previstas no PELT. Elas não substituem os estudos técnicos, mas o perfil dos participantes, formado por órgãos governamentais, operadores privados e acadêmicos, garantem maturidade ao que está sendo construído.”
Além das propostas ferroviárias, houve sugestões para obras rodoviárias em contornos urbanos e intervenções nas BRs 101, 282 e 470. Para o transporte portuário e aquaviário, as contribuições incluíram a ampliação da cabotagem, uso de rotas marítimas para conectar os portos catarinenses, utilização de barcaças no rio Itajaí-Açu e melhorias nos acessos terrestres aos portos.
Também foram sugeridas medidas para ampliar a conectividade da malha aérea regional, implantar sistemas de metrô ou VLT para integração metropolitana e estabelecer restrições de horário para o transporte de cargas excedentes, conhecidas como supercargas.
Agora, as contribuições passarão pela análise dos técnicos da Infra para serem incorporadas ao planejamento final do PELT.
