Cidade catarinense será a primeira da América Latina com aplicativo de recompensa para mobilidade sustentável

Cidadãos de Itajaí ganharão moeda digital para consumo no comércio local, utilizando a mesma plataforma de cidades como Nova York e Copenhague

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Mobilidade Itajaí
Foto: Divulgação
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Aplicativo Itajaí
Foto: Marcos Porto

Itajaí dá um novo passo em direção ao futuro com olhar voltado para uma cidade mais sustentável e inteligente. A partir desta quarta-feira, dia 22 de setembro de 2021, no Dia Mundial sem Carro, entra em operação o aplicativo MovItajaí, baseado na plataforma portuguesa AYR, que conta com um sistema de recompensas para o cidadão que deixar seu veículo em casa e escolher opções sustentáveis de mobilidade, como o transporte público, a bicicleta e também caminhadas.

Com isso, Itajaí se torna a primeira cidade na América Latina a fazer parte do ecossistema apoiado pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e pela gigante da tecnologia Google, junto com cidades como Nova York, Copenhague e diversas localidades de Portugal. Recentemente a plataforma venceu o prêmio de inovação e sustentabilidade da União Europeia, o New European Bauhaus, na categoria lifestyle.

Com o AYR, os usuários são recompensados por evitar emissões de gás carbônico na atmosfera ao escolherem um meio de transporte sustentável. Ao registrar seu deslocamento dentro do aplicativo MovItajaí (disponível para Android), que conta também com informações de pontos de parada e localização dos ônibus em circulação na cidade, o cidadão recebe um AYR-Itajaí a cada 100g de CO2 evitadas, para utilizar na rede local de comerciantes e prestadores de serviços. A moeda digital também poderá ser convertida em reais no futuro e terá cotação variável definida pelo mercado, com valor atual estimado entre R$ 0,10 e R$ 0,15, mas com tendência de crescimento, acompanhando índices globais.

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“A Itajaí do futuro está sendo construída a cada dia. Pensar na gestão de uma cidade vai muito além de construir praças, ruas ou pontes. Ser gestor público nos dias atuais é trabalhar na mudança de comportamentos para junto com os cidadãos construir uma cidade moderna, inteligente, sustentável e inclusiva. Pensar no futuro é também pensar na conservação do planeta”, argumenta o Prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni.

Além de contribuir para a despoluição do ar, o MovItajaí também promove um ciclo positivo, com impactos na mobilidade urbana e na economia local. Ao recompensar os cidadãos que adotem meios de locomoção alternativos ao automóvel particular, será possível reduzir o trânsito na cidade e ainda gerar uma nova fonte de receita para as empresas locais que recebam pagamentos em AYR-Itajaí. A estimativa é alcançar 20 mil usuários ainda em 2021.

“Nós estamos inserindo Itajaí em um ecossistema global de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento. As cidades têm desafios similares a enfrentar no mundo pós-pandemia. Podemos citar as quedas profundas na demanda por transporte coletivo e de consumo no comércio local, ou as doenças físicas e mentais associadas ao sedentarismo. Portanto, visualizamos diversos benefícios para Itajaí ao adotar esta solução e integrar-se à rede de cidades e parceiros do AYR”, explica o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Thiago Morastoni.

Segundo Pedro Gaspar, diretor de novas tecnologias de negócio do CEiiA – instituto de engenharia e desenvolvimento de produtos responsável pelo AYR, o aplicativo permite inverter a lógica convencional e acelerar a descarbonização radicalmente, com o blockchain e algoritmos que certificam o CO2 que deixa de ser emitido na atmosfera para gerar recompensas ao usuário.

“Em escala global, os transportes são as fontes de emissão de carbono que mais crescem, representando cerca de 30% do total de CO2 produzido anualmente. Com o objetivo estabelecido pela ONU de reduzir as emissões em 45% até 2030, o projeto passou a ser desenhado e agora passa a ganhar proporções globais. Desde o princípio, queríamos repensar este desafio de forma a criar mais adesão, dando o poder ao cidadão. Ao contrário de punir quem gera a emissão de carbono, que tal recompensar quem evita? Depois de muita pesquisa e desenvolvimento, conseguimos chegar a um modelo que atribui um valor, baseado em múltiplas variáveis incluindo por exemplo o Custo Social do Carbono, para recompensar o cidadão por algo que ele ativamente evitou: a emissão de CO2. Basta registar a atividade de deslocamento no app, que conseguimos validar a não-emissão e disponibilizar o valor gerado ao utilizador”, explica Pedro Gaspar.

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